Home » Vida de Mãe » Parto domiciliar, O emocionante relato do nascimento da Alice

Parto domiciliar, O emocionante relato do nascimento da Alice

Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

O Meu parto domiciliar

Pensei em várias formas de relatar minha experiência com o parto domiciliar humanizado, e não encontrei forma mais perfeita que relatar para você, que foi o motivo de tudo isso, minha Alice.

parto domiciliar

 

Você foi o meu segundo presente, o primeiro foi seu irmão Vinícius, que nasceu por uma cesárea desnecessária (E eu só soube disso depois de engravidar de você).Por conta dessa cesárea anterior ouvi muitas coisas negativas sobre o parto natural. Ouvi todos os mitos possíveis, ainda mais pela cesárea anterior, mas fui de contra essa negatividade e procurei me informar profundamente no assunto. Li vários relatos de mulheres que pariram depois de 1,2,3 cesáreas, por que eu não conseguiria? A primeira coisa que fiz foi largar o plano de saúde. Se fosse por lá “teria que ser cesárea”, mas não por meu corpo ser defeituoso, não por eu não ter forças para te ter. Seria outra cesárea simplesmente porque seria mais cômodo para o médico.

Eu não queria passar por aquilo outra vez. Tive medo de correr pro SUS, tive medo de sofrer violência obstétrica outra vez. Eu queria algo diferente, eu queria aquilo que as fotos mostravam! Mulheres sorrindo com a sua cria no colo, mulheres livres, parindo da forma que se sentiam bem. Mas como fazer isso? Eu estava perdida. Entrei em um grupo no Facebook chamado “Cesárea? Não, obrigada.” Esse grupo abriu muito minha mente, me ajudou pra valer.

Foi a partir desse grupo que soube que fui enganada na primeira gravidez, e que encontrei a Ludmila, nossa doula. Depois de encontrá-la conheci o Dr. Renato Grandi, que foi nosso GO. Ele é uma referência em parto humanizado aqui em Recife. Logo na primeira consulta notei a grande diferença dele para os outros. Ele me recebeu com um sorriso, com um abraço. Nossa, que impacto! Um médico fazendo isso? Era algo novo pra mim.

Seu pai Rafael, gostou muito dele. Era perfeito. Ele nos explicou sem máscaras o que acontece com a maioria dos planos de saúde. Ele me encorajou ainda mais sobre minha decisão e falou do parto domiciliar. Até ai eu planejava um parto humanizado hospitalar. Depois de estudar um pouco sobre parto domiciliar simplesmente me apaixonei. Queria parir em casa, era nosso novo objetivo.

Foi bem difícil Alice, A gente mudou de casa, a gente economizou muito dinheiro, a gente priorizou. Conheci a parteira(Tatianne Frank) pelo Facebook. Uma amiga me indicou, a doula falou super bem da Tati, o Dr. Renato também. E realmente ela é tudo o que dizem. Nos encontramos pela primeira vez em um curso de parto que ela estava dando. Nós aprendemos muito ali. Era muito legal ter contato com mulheres que estavam em busca do mesmo que eu. Era positivo, era carinhoso, era humanizado.

parto domiciliar

 

Participei de um projeto da Tati, nesse projeto eu era acompanhada por ela, pelo Gines, Dani e Ana. Equipe show de bola! Eu super me encantei por eles. Formamos nosso “time”. Fora o pessoal da parteira tínhamos a Ludmila e o Dr. Renato. No final conseguimos contratar uma fotógrafa, que também é parteira, linda e loira: A Rosinha, haha.

A gravidez foi se passando, fui em algumas aulas sobre parto/amamentação, acompanhei grupos de apoio na internet, recebi apoio de algumas seguidoras e amigas, e de profissionais da área. Um médico em especial (Braulio Zorzella) me ajudou bastante, mesmo de longe. Li e me informei MUITO, com fontes confiáveis.

Tive algumas consultas em casa (Experiência linda ouvir seu coração no meu sofá! Era maravilhoso), no final fui acompanhada toda semana. Meu corpo trabalhava, e aos pouquinhos mostrava sinais que tudo estava dando certo. Três semanas antes do parto comecei a sentir contrações com mais frequência. Umas com dores, outras sem. Perdi líquido algumas vezes, sentia que cada vez estava mais perto.

Um certo dia eu estava na casa da sua avó e ali senti uma contração muito dolorida. Era diferente das de antes, me assustei de início e liguei pra doula. Ela me tranquilizou, como sempre, hehe. Logo depois perdi um pedaço grande do tampão mucoso. Fiquei super feliz! Era perfeito isso de qualquer coisa poder ligar pro Renato ou para qualquer pessoa da equipe, Eles sempre foram super tranquilos e passavam sempre muita segurança. Eles não falavam “é normal, fim”. Eles falavam : “É normal, por isso e aquilo, Se acontecer tal coisa, ai você me liga novamente”, mais ou menos assim.

Por saber o que era ou não normal, eu sempre fiquei tranquila, e isso me ajudou muito. Depois desse dia não demorou muito para você nascer. Continuei com contrações, mas sem ritmo algum. No outro dia eu ainda perdia o tampão, dessa vez com um pouco de sangue. As contrações estavam mais frequentes, mas ainda sem ritmo.

Depois de um tempão nesse “rola e não rola” entramos enfim na fase latente. As contrações criaram um ritmo, mas bem distanciado. Começaram as 21:00, e eu não conseguia dormir. A dor era muito intensa quando eu estava deitada, eu perdi totalmente o sono e informei a minha doula pela manhã. Ela resolveu passar o dia comigo. Fiquei o dia inteiro assim…

Eu estava feliz, cansada, e tentando pensar que “não era a hora” para evitar uma ansiedade muito grande e uma frustração depois. A gente andou até uma padaria aqui pertinho, e era super engraçado a sensação de ter contrações na rua. Conversamos, tive contração dentro da padaria, perto do posto de gasolina, etc e tal. Super normal! hahahaha, Ela contava as contrações e anotava pra mim.

Horas depois, ela resolveu fazer um chá que dizem que faz as contrações engrenarem. Não sei se foi o chá, mas  eu sei que depois dele as contrações realmente vieram pra valer! Era oficial, eu estava enfim em trabalho de parto.

As dores vinham, iam, A Lud ligou para o restante da equipe para avisar. Estávamos no comecinho e eu já me sentia com muito sono, mas estava feliz e empolgada. Eu conversava com você mentalmente, e tentava não focar no horário para não ficar imaginando com quantos cm estava. A Lud me oferecia comida, pois viu que eu não me alimentei direito durante o dia. Ela descascou abacaxi e eu comi um pouquinho, mas vomitei. Eu não conseguia comer, mas me esforçava com pedaços pequenos de bolacha, mel, pois sabia que precisava de energia. Bebi água, muita água. Planejei um ambiente calmo, tranquilo, com cheiro de incenso que eu curto, mas por ironia do destino você resolveu nascer no dia de uma final de campeonato de futebol. Aqui pertinho tem vários bares, e estava um barulhão gigante! Seu pai denunciou, mas francamente… Que policial iria sair de onde estava para cortar o som em um dia de final de campeonato? Foi o que pensei.

 Lembrei de todo o esforço que fiz que tentei focar somente em mim e em você. Depois de um tempo o barulho se foi, graças! Nesse meio tempo as velas pegaram fogo hahaha, morri de rir com a situação. Que loucura, nada acontecia como eu imaginava! Mas essas coisas se tornaram lembranças engraçadas, não algo negativo. Estava tudo fluindo bem, meu corpo estava trabalhando e você iria chegar… As contrações estavam bem demoradas e doloridas.

A Lud fazia mágica com as mãos, era incrível como ela sabia amenizar aquela dor. Eu me sentia muito bem com ela perto, ela foi uma fonte de apoio muito grande pra mim. Depois de um tempo a fotógrafa chegou, depois dela chegou a Ana, e depois não lembro a ordem. Mas estavam todos aqui na sala, enquanto eu não parava quieta. Deitei no sofá por pouco tempo, pois as contrações naquela posição ficavam bem doloridas. Fiquei muito no chuveiro quentinho e em um canto que divide minha cozinha e sala. Não entendo o motivo, mas eu me sentia bem ali. Depois de muitas contrações, gemidos, e conversa chegou a hora da piscina! OBA! É simplesmente incrível o efeito dela.

Eu me senti super bem lá, e fiquei por um bom tempo. A hora estava se passando e chegou um momento que eu quis saber com quantos cm estava. Eu estava me sentindo fraca e tonta. Avisei a Lud e perguntei o que ela achava. Ela me disse que não sabia se iria demorar, mas que chutava uns 9 cm. Eu me surpreendi muito, perguntei com medo de ouvir ”5”, e já estava com 9?

Isso me deixou super feliz, lembro que pouco antes perguntei se a gente já estava na parte difícil do trabalho de parto. Aquela parte que chamam da hora da covardia, e quando ela disse que sim eu respondi ”que bom”, pois mesmo bem dolorido estava super suportável. Minha hora da covardia foi muito perto do fim, e eu me senti forte por isso. Ela chamou a parteira Tati, que me pediu autorização para verificar os cm, ela não fez toque, viu pela linha púrpura, e me disse que estava muito perto do fim.

Depois disso voltei pro banheiro, e realmente não demorou muito. Eu sentia uma vontade louca de fazer força. A Lud me sugeriu que eu me tocasse, e quando me toquei senti algo lá atrás. Eu não soube definir o que era no início, mas era você chegando. Estava tão pertinho, eu pensei. Fiquei na banqueta com a água quente caindo na minha lombar. Quando a contração vinha eu chamava a Lud para fazer a mágica com as mãos. Seu pai ajudou ela algumas vezes, ele se virou em mil nesse dia e me deu muito apoio. A minha barriga dava uns ”puxões”. Eu imaginava que o período expulsivo fosse tipo ” 3 contrações e o bebê nasceu”.

Bem, comigo não foi assim. Fiquei tonta nesse final, a Lud me deu umas gotinhas de “floral”, e a Ana também. A gente foi levando. Resolvi voltar pra piscina, a água estava meio fria (ou eu estava com o chuveiro muito quente). O pessoal esquentava a água e aquecia aquele cantinho, enquanto gritava, chorava, sorria, observava e até cochilava as vezes!

Rafael estava comigo dentro da piscina, me fazia massagem e ficava observando se sua cabecinha aparecia em uma daquelas contrações. Depois de um tempo eu me toquei novamente e senti sua cabecinha bem pertinho mesmo. Naquele momento eu pensei: só depende de mim para te ter em meus braços, só depende da gente.

Quando a contração vinha eu sentia você cada vez mais perto. Rafael ficou besta com aquele pontinho preto que ia e vinha. Ele fazia uma cara de expectativa incrível! Era muito boa a energia que estava no nosso quarto, era positiva demais! Te vi pelo espelho, foi uma sensação incrível.

Depois de várias contrações assim senti o circulo de fogo, e nossa como queima! Eu gritei “Tá queimando!!!”, e logo depois a sua cabecinha saiu por completo (Alívio imediato).

parto domiciliar

Lembro que quando a bolsa estourou seu pai perguntou ”o que é isso?” e quando sua cabeça estava “meio lá, meio cá”, eu te fiz carinho e ele também. Era uma sensação maravilhosa! Eu não sei definir aquela emoção que sentia no meio das contrações. Depois que sua cabeça saiu veio o resto do corpinho com uma contração. Teu pai te segurou, e logo me deu.

parto domicliar

 

Eu não me sentia mais cansada, só sentia amor, satisfação, muita gratidão, alegria, força…Eram muitos sentimentos em pouco tempo, é difícil explicar. A primeira coisa que falei foi: “Ai meu Deus, Ai meu Deus, eu não acredito que consegui, eu não acredito que consegui. Obrigada Deus, obrigada Deus, obrigada a vocês também” chorando muito. Estávamos todos emocionados demais. Foi lncrível, foi da forma que deveria ser. Depois de um tempo com você na água, levantei e a placenta saiu por completo. Deitei na cama, te coloquei pertinho dos meus seios e você mamou pouco tempo depois.

Depois que o cordão parou de pulsar, o seu pai cortou, com a ajuda da linda Dani. Fui examinada depois. Não precisei de sutura, foi tudo muito perfeito! O Gines chorava muito, agradecia por ter participado do nosso momento. Eu achei lindo ver aquilo, aquela equipe tão emocionada por nos acompanhar. Eles são incríveis, incríveis mesmo.

A Ana brincou dizendo que queria ser igual a mim ”quando crescer” hahaha, ela foi quem mais ouvia seu coraçãozinho de tempo em tempo. Ela também me falou que eu passava muita segurança para equipe, e eu respondi que eu me sentia segura por eles estarem lá. Ter essa equipe perfeita ao nosso lado foi fundamental. Eu realmente me sentia muito segura, eu sabia que se tivesse qualquer coisa fora do normal iríamos para o ‘plano b’, que seria uma maternidade aqui perto.

E por ter me informado, eu sabia que estava tudo bem. Eu não tive medo do meu útero romper, não tive medo de acontecer algo com você. A única hora que bateu um frio na barriga foi quando a Dani foi ouvir seu coração e não achou onde estava de imediato, mas logo depois a Tati te achou, bem lá embaixo.

Ah,  um momento engraçado foi quando o seu pai  veio com a água quente para jogar na piscina, eu brinquei falando “é a primeira vez que sinto medo, você com água fervendo e eu aqui dentro, cuidado!! (normalmente tomo banho com o chuveiro pelando) rsrsrs” Foi uma conexão muito boa, ficou um clima de conquista, de vitória.

Era assim que eu me sentia: uma vitoriosa, uma conquistadora. Pedi para avisarem a minha mãe pra ela trazer o Vinícius,  fiquei muito ansiosa pela chegada deles. Sua avó chorava, sorria, e ficou comigo dando muito apoio e força (Obrigada Mãe, por tudo!). Seu irmão ficou com uma carinha curiosa no início, mas logo depois te fez carinho e beijou seu pezinho.Eu senti falta dele na hora, mas não queria assustá-lo com meus gritos e gemidos. Eu queria muito que ele te conhecesse logo depois do seu nascimento, e assim foi feito.

Eu me sentia completa com vocês perto de mim. Você chegou de uma forma linda, minha Alice. Sem intervenções , sem violência, sem desrespeito. Eu renasci com seu nascimento, e te agradeço por isso. Você nasceu com 50 Cm e 3.200 kg. Depois dessa experiência me sinto uma mulher mais forte, mais completa.

Eu pari desde a gestação, com informações, com momentos, com as rodas de gestantes, com a equipe, com o apoio, com o carinho. Não foi coragem, foi realmente planejamento! Troquei o clarão de um hospital pelo escurinho do nosso cantinho, e foi a melhor escolha que fiz na vida.

Um beijão, da mamãe.

Veja Mais abaixo:

Vídeo -> https://www.youtube.com/watch?v=jxiH2lwPook
Fotos completas -> https://goo.gl/VzpZFO

Por: Thaisa Barros ♥

 

Comentários

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.

Sobre Thaisa Barros

Thaisa Barros, Recifense, criadora da Super mamães, mãe do Vinícius e da Alice, esposa do Rafael.

Verificar também

O meu menino de hoje, será o homem de amanhã

Compartilhamentos Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.O meu menino de hoje, será …

A festinha da Alice

Compartilhamentos Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.Antes da festa: Nunca mais vou …

imagem de amigos felizes

Depois da maternidade existem dois tipos de amigos

Compartilhamentos Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.“Depois da maternidade existem dois tipo …

Send this to friend

Powered by themekiller.com